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Civis italianos erguem monumentos em reverência à memória

de combatentes da FEB

 Vergato (Itália) – O valor do soldado brasileiro que combateu pela libertação da Itália durante a Segunda Guerra Mundial é reconhecido até hoje pelas populações das cidades onde atuaram os nossos Pracinhas. A gratidão dos civis italianos que tiveram a oportunidade de conviver com integrantes da Força expedicionária Brasileira (FEB) é expressa nos relatos em primeira pessoa, cheios de emoção, mas também em lembranças físicas, sob a forma de monumentos. Ao todo, existem 52 deles que homenageiam o Brasil e seus militares que estiveram em ação naquele conflito em território italiano, quantidade superior ao de qualquer outra Força aliada. No dia 23 de abril, uma delegação do Exército Brasileiro participou de celebrações em três desses marcos, tendo à frente o General de Exército João Camilo Pires de Campos, representando o Comandante da Força.

A primeira parada ocorreu em Boscaccio, onde reside o Senhor Claudio Carelli, 77 anos. Em 2010, ele ergueu um monumento em honra aos Soldados Francisco Gomes de Souza e José Alves de Abreu, que conheceu quando era criança. Os militares integravam uma fração do 6º Regimento de Infantaria, que se preparava para a Batalha de Castelnuovo. Nas missões de reconhecimento, eles passaram por aquela propriedade e não se furtaram a dividir sua alimentação com a família do Senhor Carelli. Infelizmente, ambos tombaram em batalha, em março de 1945. “Eu era criança, mas recordo com muito prazer desses militares, que me jogavam para o ar com suas brincadeiras. Lembro a dignidade e o afeto que tiveram conosco, em uma época de grande dificuldade. São recordações que fazem parte de minha vida. Sou grato a eles e a todo o Exército Brasileiro”, relatou.

Poucas centenas de metros adiante, encontra-se a localidade de Precaria, palco de um dos eventos mais emblemáticos da trajetória da FEB na Itália. A região também estava na rota rumo à conquista de Castelnuovo e no itinerário de um Grupo de Combate do 1º Regimento de Infantaria, composto por nove homens. No deslocamento, os brasileiros foram atacados por tropas alemãs. O Cabo José Graciliano Carneiro da Silva e os Soldados Clóvis da Cunha Paes e Castro e Aristides José da Silva guarneceram o retraimento dos companheiros. Eles resistiram até o fim com seus próprios meios ao fogo de armas automáticas e granadas de morteiro. A tenacidade do trio foi reconhecida pelos adversários, que, de maneira incomum, sepultou os Pracinhas em uma cova simples, sob uma cruz com a inscrição “3 Tapfere – Brasil – 24/1/45” (3 Bravos do Brasil).

Moradora do local, a Senhora Iolanda Marata, 85 anos, recorda a passagem da FEB com carinho.  “Convivemos com os brasileiros por alguns meses antes do avanço a Castelnuovo. Nós nos sentíamos seguros com a presença deles. Eu vi a guerra e recordo a bravura dos soldados na defesa da Itália e de como eram gentis conosco. Até hoje, me correspondo por cartas com netos dos brasileiros que estiveram em Precaria”, revelou.

A jornada foi encerrada pela manhã com a visita ao município de Vergato, onde se localiza o campo de batalha de Castelnuovo, ponto importante para a ruptura da temida Linha Gótica nazista. Lutando ombro a ombro com os brasileiros estavam os civis da resistência italiano, chamados Partigiani. Um deles, o Senhor Gino Constantini, ergueu no local da batalha um monumento em memória dos Pracinhas. Durante a cerimônia que relembrou o heroísmo brasileiro, a emoção marcou a ocasião quando 30 crianças da Escola Média de Vergato cantaram a Canção do Expedicionário, verdadeiro hino da FEB.

 

 

 

 

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